História de Dona Beja

Ana Jacinta de São José, mais conhecida como Dona Beja, por este compará-la à doçura e beleza da flor beijo (denominação popular do hibisco). Nasceu em 1800, no município de Formiga-MG e teve um único irmão chamado Francisco Antônio Rodrigues.

Dona Beja chegou em Araxá no ano de 1805, com sua mãe e seu avô. Seu pai nunca foi conhecido. Ao crescer, tronou-se uma das mais bonitas mulheres da região, por este motivo,durante toda a vida, Dona Beja irritou mulheres e encantou os homens.

Era apaixonada por Antônio Sampaio, um fazendeiro da região, mas aos 13 anos foi raptada pelo ouvidor da corte, Dr. Joaquim Inácio Silveira da Motta, que ficou fascinado com a sua beleza e chegou a matar seu avô, quando tentou impedir o rapto da neta.

Beja foi levada para Vila do Paracatu do Príncipe, cidade a 350 quilômetros de Araxá e, que na época, pertencia ao Estado de Goiás. Lá permaneceu por dois anos, sendo amante do ouvidor.

Denúncias de que ele teria assassinado o avô de Dona Beja levaram o ouvidor a pedir a integração da parte de Goiás ao território mineiro, pois tinha boas relações com o governador de Minas e não com o de Goiás. Dessa história surgiu a tese de que “A beleza de Dona Beja era tão extraordinária que modificou o mapa do Brasil”. No ano de 1816 a área de Goiás foi integrada à de Minas Gerais e hoje a região é conhecida como Triângulo Mineiro.

Sem conseguir abafar o assassinato do avô de Beja, Dr. Joaquim Inácio Silveira da Motta foi transferido para o Rio de Janeiro a pedido de Dom João VI e foi nesta época que Dona Beja conseguiu voltar para Araxá, cidade onde foi criada.

Ao retornar para São Domingos do Araxá, Beja encontra um ambiente hostil. A conservadora cidade não a via como vítima, mas como uma mulher sedutora e de comportamento duvidoso, sendo assim, tornou-se uma pessoa indesejada e marginalizada pela sociedade. Era uma pessoa rica, poderosa e tornou-se a maior personalidade da região.

Após descobrir que seu antigo amor havia casado com outra, decidiu criar um refinado bordel chamado Chácara Jatobá, que possuía vastos salões para festas e recepções, foi construída ao estilo colonial e cercada de árvores.

Dona Beja deitava a cada noite com um homem diferente, se este lhe pagasse bem, mas à condição de poder decidir com quem dormir. Ela se tornou célebre, atraindo homens das regiões mais remotas, para conhecer seus encantos e esses a cobriam de dinheiro, jóias e pedras preciosas.

Reza a história que, quando dormia com homens que selecionava na Chácara jatobá, Beja juntamente com seu fiel amigo Fortunato (Boticário da época) criava certas poções, conhecidas como o “remédio do sim ou não”. Quando Beja não queria dormir com certo homem, mas a riqueza do mesmo a encantava, ela colocava na sua bebida a poção do “não” e isso fazia com que o homem não conseguisse manter relações com Beja, assunto que não saía do quarto, já que os homens teriam vergonha de confessar o fato, e Beja recebia pela noite como se tivesse se consumado, já a poção do “sim” era justamente o contrário.

A lenda fala sobre a existência de uma “fonte jumenta”, que tinha uma água miraculosa que concedia juventude, saúde e beleza a Beja, onde ela se banhava todos os dias.

Dona Beja nunca se esqueceu de seu amor por Antônio Sampaio que, certa noite, movido pela embriaguez, invadiu a Chácara Jatobá e ela terminou por escolhê-lo. Dormiu com ele e engravidou de Tereza Tomázia de Jesus, sua primeira filha.

Ao contrário do que se pensa, a história dos dois não terminou em romance. Antônio foi assassinado a mando de Beja, por ter sido mandante de uma surra que tomou de dois negros, que a tocaiaram em uma estrada. Dona Beja ficou muito machucada e demorou meses para se recuperar, foi á justiça responder pelo assassinado, mas foi libertada graças a ajuda dos seus fiéis amigos.

O advogado João de Mendonça foi o segundo amor de Beja e com ele teve a segunda filha, Joana de Deus de São José, nascida em 1838.

Mesmo sendo uma mulher analfabeta e mãe solteira, Dona Beja alcançou uma posição social intensamente favorável. Isso porque foi proprietária de um sobrado por ela construído em torno de 1830, na antiga Praça da Matriz, lugar onde se concentrava a Igreja, a Câmara e as melhores residências da então Vila do Araxá. Outras provas do seu prestígio são os escravos que possuiu, assim como a propriedade rural Chácara do Jatobá. Além disso, casou suas filhas com membros da elite local.

Por volta de 1850, Dona Beja mudou-se para Bagagem (hoje Estrela do Sul), estimulada pelo desejo de ali encontrar diamantes. Naquele momento Araxá passava por uma fase de estagnação econômica.

Ela passou a morar em uma casa grande, com senzala nos fundos, onde ficavam os escravos. Dona Beja chegou a tocar garimpo e ganhou muito dinheiro com os diamantes que encontrou.

Dona Beja, ao lado da filha Joana, do Genro Clementino e dos netos, estabeleceu raízes naquela cidade, até sua morte, em 1873.

Nesse período participou financeiramente da construção de uma obra pública, a ponte do rio Bagagem. Em 1873 solicitou a municipalidade o ressarcimento do dinheiro por ela empregado na referida obra.

Em 1869 fez o seu testamento cujo teor demonstra, sobretudo, a personalidade de uma mulher não mais possuidora de muitos bens, no entanto, inteiramente dedicada à religião católica.

A partir da década de 1920, quando o Barreiro se transformava em função do seu aproveitamento como estância hidromineral, a antiga fonte radioativa começava a ser chamada informalmente de Dona Beja. Com o apelido ela tornou-se mundialmente conhecida.

Fonte Dona Beja

Fonte Dona Beja

Vários autores escreveram romances e livros históricos sobre a personagem, que foram adaptados para novela, samba-enredo, peça teatral e roteiro de cinema.

Sua inegável existência histórica e comprovada por documentos, fortalecida pelo mito, justifica o nome do Museu Histórico de Araxá e da Fonte de Água Radioativa do Barreiro.

Museu Dona Beja – Em Restauração (reabertura em 30/06/2019)

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Até breve. ?

Isabel Sbrogio

 

 

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