História das Tulipas na Holanda

As Tulipas na Holanda

 

As tulipas foram trazidas para a Holanda no século XVI, pelo Império Otomano (atual Turquia). Em 1592, Charles de l’Écluse, também conhecido como Carolus Clusius, recebeu alguns bulbos enviados por Ogier de Busbacq e criou mudas de tulipas capazes de tolerar as ásperas condições climáticas dos Países Baixos. Suas tulipas eram usadas para fins medicinais e na decoração de seu jardim mas, por se tratar de uma planta rara, seus bulbos eram constantemente roubados para serem comercializados. Reza a lenda de que foi assim que essa flor curvilínea e colorida cresceu junto com a “Era de Ouro da Holanda” ou “tulipomania”: Uma louca mania por tulipas que afetou todo o país.

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No início do século XVII, as tulipas já eram consideradas um símbolo de status na Holanda, mudas especiais recebiam denominações exóticas. As mais espetaculares e altamente desejadas tinham cores vividas, linhas e pétalas flamejantes, quanto mais rara a tulipa, mais valiosa ela era considerada. Essa moda foi tão forte que os preços chegaram a aumentas 20 vezes em um único mês. As tulipas eram consideradas tão valiosas que pessoas de todas as classes vendiam propriedades e trocavam os seus bens por um simples bulbo.

“Em 1623, um simples bulbo de uma variedade famosa de tulipa poderia custar muitos milhares de florins neerlandeses; Tulipas foram trocadas por terras, animais valiosos. Algumas variedades podiam custar mais que uma casa em Amsterdã. Dizia-se que um bom negociador de tulipas conseguia ganhar seis mil florins por mês, quando a renda média anual, à época, era de 150 florins. Um bulbo de tulipa passou a ser vendido pelo preço equivalente a 24 toneladas de trigo. Por volta de 1635, a venda de 40 bulbos por 100.000 florins foi um recorde. Para efeito de comparação, uma tonelada de manteiga custava algo em torno de 100 florins e oito porcos graúdos custavam 240 florins. O recorde foi a venda de um dos mais famosos bulbos, o Semper Augustus, por 6.000 florins, em Haanlem.” (Wikipedia)

 

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A principal dificuldade deste mercado é que as tulipas, após serem plantadas, não florescem antes dos 7 anos e quando sua floração finalmente ocorre, dura uma semana, entre os meses de abril e maio. Com os bulbos aparecendo somente entre junho e setembro, suas vendas eram limitadas a uma temporada fixa e isso impedia que fossem comercializadas o ano inteiro. Para contornar este problema, em meados de 1630, os especuladores passaram a vender contratos futuros de tulipas, onde vendiam os bulbos das tulipas que tinham acabado de plantar ou que ainda intencionavam plantar.

Ao assinar um contrato futuro, o comprador assumia a obrigação de comprar determinada tulipa no final da temporada e assim, como as próprias tulipas, os contratos passaram a ser negociados, iniciando o primeiro mercado de derivativos do mundo, que na época, era chamado de windhandel “negócio de vento”.

Em 1636 este mercado era tão visado que as tulipas passaram a serem negociadas na Bolsa de Amsterdam, Leydem, Hoorn, Rotterdam, Alkmar e Haarlem entre outras cidades do país e, chegou até a fazer pequenas incursões em Londres e Paris.

Mas no inverno de 1637, em Haalem um comprador não honrou o seu contrato e gerou um pânico que fez com que, em questão de dias, os preços das tulipas caíssem para um centésimo do seu valor de mercado: A bolha estourou.

Muitas pessoas que haviam dado tudo o que tinham por um valioso bulbo, agora se encontravam apenas com uma planta de jardim, sem nenhum valor de mercado.

Ao ver a desvalorização das plantas, compradores decidiam não honrar os contratos, levando muitos vendedores à falência. O governo tentou apaziguar a situação, fazendo a oferta de honrar 10% do valor original dos contratos, o que só fez com que o mercado despencasse ainda mais.

Tentativas de resolver a situação fracassaram. Os juízes consideraram os débitos como contratados através de especulação e portanto, sem corroboração legal.

Versões menores da “tulipomania” também ocorreram em outras partes da Europa, entretanto não alcançaram a dimensão da que ocorreu nos Países Baixos.

“Na Inglaterra de 1800, era comum pagar cinqüenta guinéus por um único bulbo de tulipa. Esta soma poderia manter um trabalhador e sua família com comida, roupa e aluguel por seis meses.” (Wikipedia)

 

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A crise das tulipas foi a primeira bolha especulativa conhecida, que deu início a uma depressão econômica que durou vários anos e gerou uma considerável desconfiança a investimentos especulativos por parte dos holandeses.

Hoje a Holanda ainda é conhecida por suas tulipas e outras flores, sendo chamada carinhosamente de “floricultura do mundo”. As flores são cultivadas em grandes e coloridos campos, e há vários festivais de tulipas em todo o país na primavera.

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